segunda-feira, 14 de julho de 2008

Reflexões sobre esse blog

Quando eu resolvi começar a escrever esse blog (por sugestão de um dos meus colegas da Vale que tb participou desse Programa de Intercâmbio com a Mitsui), confesso que não imaginava que daria tanto trabalho... Fazer o blog em si é muito simples: basta vc escrever o texto, fazer o download das fotos e tudo aparece no ótimo layout que vcs estão vendo. O problema é o trabalho por trás disso: selecionar as fotos e (principalmente) documentar com exatidão tudo que eu fiz durante essas 7 semanas no Japão + 1 semana na China e Coréia do Sul.

No início eu pensei que seria possível escrever usando apenas o tempo que eu estava em trânsito (trem, avião, metrô, etc). O problema é que o sistema de transportes no Japão é eficiente e rápido demais, logo tive que começar a ficar às vezes até mais tarde em casa para manter as novidades em dia...

Mas apesar das muitas horas gastas, acho que valeu à pena, por diversos motivos.

Primeiro, para enviar notícias para a minha família, namorada, amigos e colegas de trabalho. Sei que muitos estavam curiosos e, como eu não sou de ficar contando muitos detalhes, acho que foi uma ótima maneira de mantê-los atualizados sobre o que eu vinha fazendo por aqui.

Além disso, escrever esse blog me fez pesquisar ainda mais sobre os lugares que visitei, visitas de trabalho que fiz, apresentações das quais participei, etc. Como vcs puderam ler (e ver), recebi uma grande quantidade de informações, que com essa incrível ferramenta que é a Internet ficará guardada para sempre para futuras consultas (isso se o Google não quebrar! rsrs).

Finalmente, esse blog vai me ajudar bastante a preparar um relatório que o nosso depto de Comunicação (responsável na Vale pela coordenação desse Programa de Intercâmbio) nos obriga a entregar ao final, chamado “Diário de Bordo” (um relatório diário com tudo que fizemos aqui durante os 2 meses de trabalho).

Dessa forma, gostaria de agradecer a todos que tiveram paciência para acompanhar as minhas aventuras aqui na terra do Sol nascente. Como vcs devem ter percebido, foi uma experiência incrível que guardarei na minha memória (e agora tb na Internet, para quando a memória começar a falhar! rs) pelo resto da minha vida!

Desde o último sábado (05/jul) estou de férias. Estou viajando por 2 semanas pela China. Meu roteiro é: Beijing, Xi'an, Guangxi e Hong Kong. Como estou de férias, dessa vez não terá blog! rsrs

Chego de volta ao Brasil no dia 19/jul (sábado) de manhã. Até lá!

ARIGATO GOZAIMASHITA!!! SAYONARA!!!

sábado, 12 de julho de 2008

Últimos momentos

Semana passada foi a nossa última semana de trabalho no Japão. Nosso programa de intercâmbio com a Mitsui terminou na 6a feira (04/jul), quando fizemos a nossa apresentação final sobre tudo que aprendemos nessas 8 semanas, tanto do ponto de vista profissional, quanto tb cultural e pessoal.

No início da semana visitamos a Bridgestone, maior fabricante mundial de pneus. A empresa foi fundada em 1931 por Shojiro Ishibashi (como “Ishi” quer dizer “Pedra” e “Bashi” significa “Ponte”, com uma grande visão ele decidiu batizar a empresa japonesa com o nome que seria reconhecido mais tarde internacionalmente).

Em 1988, a Bridgestone adquiriu a norte-americana Firestone, tornando-se a maior no seu segmento de atuação, com venda líquida de US$ 30 Bi (dados de 2007) e 165 plantas em 25 países. A empresa tem hoje um market share de aproximadamente 18%, seguida pela francesa Michelin (que adquiriu a BF Goodrich) e pela norte-americana Goodyear, respectivamente as segunda e terceira maiores fabricantes de pneus no mundo.

Em 2007, a Bridgestone tornou-se a fornecedora exclusiva de pneus para as 11 equipes de Formula 1.

A Vale é uma grande cliente da Bridgestone, já que a fabricante, junto com a Michelin, são as únicas que produzem os maiores pneus fora-de-estrada (atualmente o maior é o R63). Esses pneus são usados nos caminhões fora-de-estrada que as mineradoras utilizam para extrair o minério de ferro e outros metais das minas, transportando-os até os pátios aonde serão carregados nos trens e depois nos navios.

Para vocês terem uma idéia dos valores envolvidos nesse negócio, cada “pneuzinho” desse custa aproximadamente US$ 25 mil! A vida útil de um pneu fora-de-estrada varia de acordo com as condições do local (clima, solo, etc) aonde será utilizado, mas normalmente gira em torno de 9 a 18 meses. Cada caminhão fora-de-estrada usa 6 pneus de uma só vez, uma mina como a de Carajás tem sozinha mais de 100 “caminhõezinhos” desses, então vcs podem calcular o valor gasto apenas com pneus...

Na 2a feira (30/jun) de manhã tivemos uma aula sobre pneus com o Sr. Honda, da Mitsui Packaging Co. (subsidiária da Mitsui) e que trabalhou a sua vida toda na Bridgestone. À tarde visitamos a sede da empresa em Tokyo. Depois, pegamos um vôo para Fukuoka, na ilha de Kyushu, no Sul do Japão.

Na 3a feira (01/jul), pegamos o Shinkansen e viajamos até a cidade de Shimonoseki, aonde está localizada a maior planta da Bridgestone (em termos de capacidade) para produção dos pneus fora-de-estrada.

A planta da Bridgestone em Shimonoseki, com capacidade para produzir cerca de 300 pneus fora-de-estrada por dia, é a maior da empresa. Essa produção equivale a 57.500 pneus para carros de passageiros (se utilizarmos a medida equivalente de tonelada de borracha).

Esse é o maior pneu fora-de-estrada produzido atualmente no mundo. Reparem nas medidas: 59/80R63!

Na 4a e 5a feira tivemos dias livres para poder fechar a apresentação final. Consegui fechar tudo na 4a feira e aproveitei a 5a feira para descansar e passear pela última vez em Tokyo (visitei o Edo Museum, que ainda não tinha conhecido).

Na 5a feira (03/jul) à noite, a divisão de Minério de Ferro da Mitsui nos convidou para um jantar de despedida na churrascaria brasileira Barbacoa, seguido do programa preferido dos japoneses...

Na foto acima, os 7 participantes do programa de intercâmbio da Vale com a equipe de Minério de Ferro da Mitsui e o Gerente Geral, Sr. Hashimoto, agachado no centro.

“I can see clearly now the rain is gone”...

Depois de muita cerveja, sake, shochu, etc, já estava todo mundo muito feliz!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Jardim Leste do Palácio Imperial

Bem no centro de Tokyo encontra-se o Palácio Imperial, castelo cercado por fossos e muros e residência do Imperador Hirohito desde 1926.

O Palácio foi construído no mesmo local aonde ficava o antigo castelo de Edo (como Tokyo era chamada antes da reforma Meiji), de onde a família Tokugawa governou o país até 1867. Em 1888, um novo castelo foi construído. Após os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, foi mais uma vez reconstruído e finalmente concluído em 1968.

O Jardim Leste do Palácio Imperial é a única área aberta à visitação do público. Visitei esse jardim em dois dias e registrei muitas fotos, que envio (algumas) abaixo.


Vista do Palácio Imperial a partir do escritório da Mitsui

Torre utilizada antigamente pelos guardas para segurança do castelo (durante o shogunato da família Tokugawa)

Casa de chá

Abaixo, algumas fotos do Jardim Leste do Palácio Imperial, com suas lindas flores e lagos...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Era uma casa muito engraçada

Como vcs devem imaginar, o espaço é um bem raro num país que tem 130 milhões de habitantes, mas apenas 375 mil km2 (23 vezes menor que a área do Brasil). Sendo assim, o apartamento aonde morei durante esses 2 meses não fugia à regra, e hoje gostaria de apresentá-lo aos persistentes leitores desse blog, que a essa altura eu imagino que sejam apenas a minha namorada e a minha mãe... rsrs

Meu apto fica localizado em Nihombashi, próximo à estação de metrô de Ningyocho e há apenas 2 estações do escritório da Mitsui (estação de Otemachi a partir de Suitengumae).

Essa é a vista da entrada do meu apto, de 20 m2. Reparem que a porta abre para fora, numa forma inteligente de ganhar mais espaço. O hábito de deixar os sapatos na entrada (para não sujar o chão dentro de casa) é um dos muitos que pretendo adotar quando retornar ao Brasil, logo já aviso aos amigos para não usarem meias furadas qdo me visitarem! rs

Meus utensílios de cozinha: máquina de lavar e secar, fogão de apenas 1 boca, geladeira e micro-ondas. Pra cozinhar nesse fogão tem que ser mágico (às vezes eu tinha que colocar a panela ou frigideira no chão sobre um pano enquanto utilizava outra ao mesmo tempo no fogão, por falta de espaço!). Eu que já achava meu fogão de 4 bocas pequeno (queria comprar um de 6), agora vou aprender a valorizá-lo mais...

Esse é o famoso TOTO, marca de vaso sanitário encontrada em todo o Japão. Talvez essa seja uma ótima idéia de um novo negócio para ser implantado aí no Brasil! Não vou entrar em detalhes, mas pela quantidade de botões vcs podem imaginar o que ele deve fazer... O problema é entender o japonês, mas normalmente vc não precisa, pois nos banheiros públicos tudo acontece naturalmente, alguns chegam até a imitar um barulho artificial de descarga quando vc se senta para deixá-lo à vontade em relação à outras pessoas que estão no mesmo banheiro e que poderiam ouvir algum ruído... rsrs

Certamente o pior problema nesse meu pequeno apto era o banho. Eu que tenho 1,82m de altura passava um grande aperto (literalmente) para tomar banho nesse pequeno espaço, certamente projetado para os padrões japoneses...

Essa é a vista do quarto a partir da minha varanda, com a porta de entrada ao fundo, minha cama à direita, armário de roupas em frente à cama, mesa de trabalho e TV à esquerda, etc. A cama era bem grande e confortável.

Por último, a vista que eu tinha a partir da minha varanda, que dava para uma pequena rua com outros imóveis e um restaurante.

Beijos e abraços a todos!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A montanha sagrada

No último final de semana resolvi viajar sozinho para Koya-san (Monte Koya). Para chegar até Koya-san, peguei primeiro o Shinkansen (cerca de 2h) até Osaka, depois um metrô até a estação de Namba e um trem local até Gokurakubashi (é necessário trocar de estação em Hashimoto). A partir de Gokurakubashi, peguei um funicular até o topo da montanha (cerca de 1.000 metros acima do nível do mar) e depois um ônibus para chegar ao Centro da cidade.

Koya-san foi fundada por um monge chamado Kukai no início do século IX (816 DC). Após retornar de uma viagem de 2 anos para a China em 804 DC (quando tinha 31 anos de idade), aonde estudou sobre Budismo com o mestre Keika na antiga cidade de Chang’an (atual Xi’an, antiga capital da China), Kukai retornou ao Japão com o objetivo de disseminar a escola Shingon pelo país, se instalando em Koya-san.

Após a sua morte em 835 DC (aos 61 anos de idade), Kukai passou a ser conhecido pelo nome de Kobodaishi. Acredita-se que ele não esteja morto, mas sim em eterna meditação, na caverna de Okunoin.

O cemitério de Okonoin, com mais de 200 mil túmulos de pedra, é talvez o mais importante do Japão, aonde estão enterradas importantes personalidades da história do país, entre eles Kobodaishi, fundador da escola Shingon.

Torodo (“Hall das Lanternas”), em frente ao túmulo de Kobodaishi, aonde milhares de lanternas estão acesas em sua homenagem. Duas dessas lanternas (uma delas doada pelo imperador Shirakawa) estão acesas há mais de mil anos.

Fiquei hospedado num shukubo, um dos 53 templos que oferece hospedagem, dentre os 117 existentes em Koya-san. A primeira foto foi tirada na entrada do shukubo aonde fiquei hospedado, chamado Eko-in. Na segunda foto, eu provando o saquê local durante jantar com comida tradicional vegetariana, chamada de shojin-ryori, preparada sem a utilização de carne, peixe, cebola ou alho (o jantar foi servido às 5:30 pm).

Na manhã seguinte, acordei às 6 am para os serviços matinais. Acima, a cerimônia do fogo (devia ser umas 7 am quando eu tirei essa foto).

O templo Kongobuji, o mais importante de Koya-san, é o centro da escola Shingo, que conta com mais de 4 mil templos espalhados pelo Japão e pelo mundo. Numa das salas desse templo ocorreu uma cerimônia de seppuku, cometida por Toyotomi Hidetsugu. A foto acima é do jardim de pedras, que com 2.349 m2 é o maior de todo o Japão.

Nas fotos acima o complexo de templos de Koya-san, com a torre de pagode Konpon-Daito, de 48,5m de altura, no detalhe.

Esse é o mausoléu do shogun Ieyasu Tokugawa, que após vencer a batalha de Sekigahara em 1600 DC conseguiu unificar o país. A família Tokugawa permaneceu no poder até a Restauração Meiji, em 1868 DC. À esquerda (não aparece nessa foto) está o mausoléu (simétrico) do seu filho, Hidetada Tokugawa.

SAYONARA!

domingo, 29 de junho de 2008

Na velocidade de uma bala

Essa semana estivemos com a divisão de Transportes da Mitsui, com quem venho mantendo contato há mais de 1 ano (através da equipe que eles têm no Brasil) para desenvolvimento de um novo negócio para as 2 empresas (Vale e Mitsui).

Na 5a feira (26/jun) visitamos a planta da Toshiba em Fuchu, a maior entre todas as plantas da empresa. Fundada em 1875 através da fusão entre as empresas Tokyo Electric e Shibaura Industries (de quem herdou o nome, através da junção das iniciais), a Toshiba é uma das maiores do mundo no seu segmento. Com vendas de US$ 60,3 Bi e lucro líquido de US$ 1,2 Bi (dados de 2007), a empresa possui cerca de 191 mil funcionários.

Na planta de Fuchu são produzidos os sistemas para motores elétricos que abastecem boa parte dos trens do Japão e do mundo, como o trem-bala.

Acima, uma locomotiva com sistema elétrico fabricado pela Toshiba para a JR, empresa que opera grande parte da malha ferroviária no Japão. A Toshiba fornece o Invertor (de corrente contínua para alternada) e o Motor de Tração (AC), equipamentos de alto valor agregado. Outros componentes, como carroceria, chassi, etc, são fornecidos por outras empresas para serem então montados na planta de Fuchu.

Na foto cima o trem-bala japonês (Shinkansen). Como já comentei antes nesse blog, ele atinge a velocidade de 300 km/h! O Governo do Brasil está conduzindo o processo de licitação do trem-bala brasileiro, que vai interligar as cidades do RJ e SP, um projeto orçado entre US$ 15 Bi e US$ 20 Bi e previsto para entrar em operação até 2014 (antes da Copa do Mundo).

O consórcio japonês, liderado pela Mitsui (com participação da Toshiba, Kawasaki e Mitsubishi), vai participar dessa concorrência. Além desse consórcio, outros fortes candidatos são os consórcios alemão (liderados pela Siemens) e francês (esses liderados pela Alstom).

Na 6a feira (27/jun) a divisão de Transportes apresentou alguns projetos que eles estão coordenando, como um nova ferrovia que está sendo construída na Arábia Saudita e o trem-bala de Taiwan, que foi inaugurado no ano passado (janeiro de 2007) e cujo consórcio vencedor foi o mesmo liderado pela Mitsui e que deverá participar da concessão do tem-bala RJ-SP. Esse projeto consumiu investimentos de cerca de US$ 15 Bi para interligar a capital Taipei até a cidade de Kachsiung, um trecho de 345 km (a tarifa cobrada é de apenas US$ 45).

Algumas pessoas dizem que o nosso trem-bala terá que ser, na verdade, à prova de bala... Eu sou um otimista por natureza. Tenho confiança de que dentro de alguns anos (talvez 1 década, ou 2, dependendo em grande parte da vontade política, pois interesse da iniciativa privada não falta), teremos uma ótima infra-estrutura de transportes no nosso país, podendo contar com as mesmas facilidades e comodidades que os japoneses e muitos outros países no mundo já têm, e não precisando ficar na mão das poucas empresas aéreas que existem por aí hoje. Precisamos todos nós, brasileiros, trabalhar para isso!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Komatsu & Vale Tokyo

Na 2a feira (23/jun) visitamos a planta da Komatsu em Hirakata, cidade entre Kyoto e Osaka.

A Komatsu foi fundada em 1921 e é a segunda maior fabricante do mundo de equipamentos para indústrias pesadas (ex: construção civil, mineração), como tratores, escavadeiras, retro-escavadeiras, caminhões fora-de-estrada, etc. Com vendas de US$ 16 Bi (dados de 2007) e market-share de aproximadamente 20%, a empresa japonesa fica atrás apenas da americana Caterpillar (com market-share de cerca de 30%).

Acima, as linhas de montagem de um trator (primeira foto) e uma retro-escavadeira (segunda foto) em Hirakata, sede da maior entre as 8 plantas que a empresa possui no Japão. Metade da capacidade instalada da empresa está no Japão, aonde são fabricados os componentes principais (ex: motores), sendo a outra metade fabricada nas demais plantas que a empresa possui pelo mundo.

Na 3a feira (24/jun) visitamos o Techo-Center (show-room) da Komatsu, que fica na Península de Izu, uma bonita região de praias e montanhas, muito próxima à Tokyo.

Assistimos a uma exibição real dos equipamentos fabricados pela Komatsu e depois pudemos fazer alguns “test-drives”.

Acima, os 7 participantes (a partir da direita) do 11th Vale & Mitsui Interchange Program com colegas da Mitsui e Komatsu (os 3 da esquerda), em frente a um caminhão fora-de-estrada modelo HD785, que tem capacidade para carregar até 91 toneladas. Os caminhões fora-de-estrada que a Vale usa nas suas minas têm capacidade para carregar mais de 300 toneladas de minério!

Nas fotos acima, uma retro-escavadeira (modelo PC1250) carregando um caminhão fora-de-estrada (modelo HD605). Na segunda foto, eu colocando em prática a minha formação de engenheiro ao pilotar essa mesma retro-escavadeira... rs

Nas fotos acima, eu, Rodrigo, João e Cinara sendo “escavados” pela PC1250!

Na 4a feira (25/jun), a Vale Tokyo nos convidou para um almoço na churrascaria brasileira Barbacoa, que fica no edifício Marunouchi (próximo ao escritório da Mitsui em Tokyo). Abaixo, os 7 participantes do Programa de Intercâmbio com os representantes da Vale em Tokyo: Kodo Okazaki (terceiro da esquerda para a direita), Renato Almeida (country-manager da Vale no Japão, ao centro) e José Augusto Delamanha (na extrema direita).

Beijos e abraços para todos, principalmente para os mais resistentes que ainda têm paciência e continuando lendo esse blog até o final! rsrs

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Cidade de templos e samurais (cont.)

No domingo (22/jun) o grupo acabou se separando, já que parte viajou para Nara (cidade próxima à Kyoto, foi a primeira capital do Japão), enquanto outra parte preferiu dormir e descansar um pouco mais. Eu acabei acordando bem cedo e resolvi passar mais um dia em Kyoto.
Peguei um ônibus até a estação de Ichijoji-Sagarimatsu, aonde encontrei por acaso um templo bem tranqüilo e pouco conhecido chamado Shisen-Dô.
Esse templo foi construído em 1641 DC por um arquiteto e estudante da escola clássica chinesa para abrigá-lo durante o fim da sua vida.

De lá andei mais uns 5 mins até um monumento em homenagem ao mais famoso samurai de todos os tempos (de quem já comentei antes nesse blog e venho estudando bastante sobre a sua vida), Miyamoto Musashi.
Esse é o local aonde ele derrotou sozinho mais de 60 homens da academia Yoshioka de Kyoto, a mais famosa e prestigiosa na época. Após duelar e vencer os 2 irmãos Yoshioka, Seijuro e Denshichiro (o duelo contra esse último eu relatei na minha última postagem nesse blog), Musashi foi desafiado para um terceiro duelo contra o próximo sucessor da família, uma criança de apenas 11 a 13 anos chamada Hanshichiro. Por ser menor de idade, ele seria representado por outros membros da academia.

Yoshioka Hanshichiro ficou embaixo de uma árvore (Sagarimatsu), cujo tronco foi preservado e pode ser visto na foto acima, à direita da estátua em sua homenagem. O duelo foi marcado para o primeiro horário da manhã. Musashi mudou a sua estratégia em relação ao duelo anterior contra Yoshioka Denshichiro (quando chegou atrasado propositadamente, irritando seu adversário) e tomou um caminho alternativo, chegando mais cedo ao local de modo a analisar o terreno e observar toda a preparação do clã Yoshioka. Dizem os relatos que haviam mais de 60 homens armados de lanças, espadas, arco e flecha e até espingardas (essas últimas haviam sido introduzidas recentemente no Japão através de comerciantes portugueses).

Musashi conseguiu se aproximar da árvore e com um golpe matou o jovem Hanshichiro, travando em seguida um sangrento duelo com os cerca de 60 homens que ali estavam, eliminando a grande maioria deles e fugindo em seguida. Para isso, ele usou apenas a sua estratégia e a técnica de duelar com 2 espadas ao mesmo tempo, estilo que nunca havia sido utilizado antes e que ficou conhecido como Nito Ichiryu (Escola das Duas Espadas) ou Niten Ichiryu (Escola dos Dois Céus).

Antes de morrer, com cerca de 60 anos, Musashi se isolou numa caverna em Kyushu (ilha ao Sul do Japão) para escrever o livro Gorin No Sho (O Livro dos Cinco Anéis), um resumo de seus conhecimentos sobre a técnica de manejo de espadas e sobre estratégia. Ele finalizou o livro pouco antes de morrer, em 1645, aos 61 anos. Esse livro atualmente é muito conhecido e estudado em escolas de Administração no mundo inteiro.

Saindo de Ichijoji, peguei novamente o ônibus para visitar o templo Ginkaku-Ji, construído em 1482 DC pelo shogun Ashikaga Yoshimasa. Seus jardins em estilo Zen Budista nos fazem lembrar de uma montanha e um lago.

Peguei o ônibus mais uma vez até um complexo de templos de Nanzen-Ji, construído para abrigar o imperador Kameyama durante a sua aposentadoria, mas que acabou se transformando num templo Zen após a sua morte, em 1291 DC. Hoje, esse complexo de templos é a sede da escola Rinzai de Zen.

Visitei primeiro o Tenjuan, construído em 1337 DC, um templo pequeno e tranqüilo, com lagos e jardins ideais para a prática do Zen.

Depois segui até o templo Hojo, com lindas pinturas e jardins estilo Zen Budista, aonde participei de uma cerimônia do chá, tradição que começou na China por volta do século VIII e foi trazida ao Japão por monges Zen Budistas no final do período Heian (século XII).

De lá caminhei cerca de 15 mins até o templo Heian-Jingu (lembrem-se que eu comentei que são mais de 7 mil em Kyoto, e eu queria conhecer o máximo deles em apenas 2 dias! rsrs), um complexo de santuários de cor alaranjada e jardins com natureza exuberante, construídos em 1895 DC para comemorar o aniversário de 1100 anos da fundação de Kyoto.

Depois peguei um táxi até o Nishiki Market (tive que ir de táxi pois já eram mais de 4 pm e o mercado fecharia às 5 pm), aonde pude ver a infinidade de iguarias (algumas muito esquisitas) que abastecem todos os dias o comércio de Kyoto. Comprei o famoso sake da região de Fushimi.

Só então resolvi comer alguma coisa, e acabei encontrando uma pastelaria brasileira no Centro de Kyoto, aonde acho que bati o recorde do Guiness de tempo de permanência numa pastelaria: foram ao todo quase 5h!
Cheguei às 6 pm para comer um pastel e beber um chopp, fiz amizade com o gerente Otavio (ao meu lado na foto acima), brasileiro de Bauru (SP), sansei (filho de mãe japonesa) que mora há 12 anos no Japão. Depois fiquei aguardando os colegas do meu Programa de Intercâmbio (João e Cinara, tb nas fotos acima), que me ligaram e estavam chegando de Nara e também queriam comer um pastel.

Como brasileiro atrai brasileiro, eles começaram a se multiplicar e apareceram mais dois, Mauricio e Jiu (acho que é assim que se escreve, esse parecia mesmo japonês), todos eles nikkei (i.e.: descendentes de japoneses). Acabei saindo da pastelaria quase 11 pm. Foi um longo dia...

No nosso último dia em Kyoto (3a feira, 24/jun), fomos ao Gion Corner assistir a um teatro com dança, música e cerimônias típicas japonesas.
Kyoto é uma das poucas cidades no Japão que ainda possui geishas. Ao contrário do que muitos pensam, elas não são prostitutas, mas mulheres muito bem educadas com o intuito de servir os homens, fazendo companhia durante um jantar, servindo bebidas, dançando, etc.

Estima-se que haja hoje em Kyoto cerca de 80 maiko (aprendizes de geisha) e pouco mais de 100 geisha, mas seu número vem caindo, restando menos de 1000 em todo o Japão.

Depois do teatro fizemos um jantar de despedida da cidade de Kyoto num restaurante no alto de um prédio. Abaixo foto do nosso grupo com os amigos da Mitsui, com a Kyoto Tower ao fundo.

Kyoto, com sua história e cultura milenares, é sem dúvida uma das cidades mais bonitas do Japão. Certamente ainda voltarei nessa cidade...