Na 6a feira (20/jun) à noite chegamos à Kyoto, que com seus mais de 7 mil templos é considerada a capital cultural do Japão.
Kyoto foi a capital oficial do país e sede do shogunato por mais de 8 séculos (a partir de 794 DC). Após a morte do shogun Toyotomi Hideoshi, que havia conseguido unificar o país terminando com o longo período de guerra entre os diversos daimyos (espécie de senhores feudais), o país ficou novamente dividido entre aqueles que apoiavam o seu filho e sucessor, Toyotomi Hideyori, e seu antigo aliado, Tokugawa Ieyasu.
Em 1600 ocorreu então a famosa batalha de Sekigahara, que marcou o futuro do país por quase 3 séculos, quando Tokugawa derrotou seus rivais se tornando o novo líder do país, sendo designado shogun (chefe militar, a quem todos os daimyos eram subordinados) e transferindo a sede do seu governo para Edo (atual Tokyo), dando início à Era Edo (de 1600 a 1868).
No sábado (21/jun), a Mitsui contratou um excelente guia que nos levou para um city-tour, dando uma verdadeira aula de história e cultura japonesas. Nos encontramos às 8:30 am no lobby do hotel e fomos direto para o templo Kinkaku-Ji (Ji = templo), também conhecido como Golden Temple e talvez um dos mais bonitos de todo o Japão...
Nas fotos abaixo, o templo pode ser visto de 2 ângulos diferentes (na segunda foto, eu e o nosso guia, Sr. Kitayama).

Esse templo foi construído em 1397 DC. Em 1950, foi incendiado por um jovem monge para atender seu desejo obsessivo de vê-lo em chamas, sendo então reconstruído 5 anos depois, seguindo o mesmo projeto original. A história do monge louco foi cinematografada no filme de Mishima Yukio “The Golden Pavillion”.
Em seguida visitamos o templo Ryoan-Ji, fundado em 1450 e muito conhecido pelo seu jardim retangular composto de cascalhos e 15 pedras que só podem ser vistas a partir de um único ponto. Para alguns, esse jardim representa a máxima do estilo Zen Budista, sendo seu significado dificilmente descrito em palavras, devendo cada um meditar e interpretar à sua maneira...
“I learn only to be contented.”
Ainda pela manhã visitamos o castelo Nijô-Jô (Jô = castelo), que foi construído em 1603 para ser a residência oficial em Kyoto do novo shogun Tokugawa Ieyasu.

Nesse castelo aprendemos bastante com o nosso guia, Sr. Kitayama, sobre a vida dos samurais. Possivelmente nunca existiu na história da humanidade uma sociedade regida por valores tão rígidos de disciplina, respeito e honra como aquela da classe dos samurais no Japão, aonde um ato que fosse contra o código de conduta dessa classe poderia levar ao seppuku, ato de suicídio que era cometido cortando a região do abdômen com a espada curta (wakizashi), da esquerda para a direita, sendo logo em seguida decapitado por alguém de confiança, como forma de amenizar a sua dor.
Após um almoço num restaurante tradicional de Kyoto (com sashimi de peixes da região, tempura de camarão, etc), demos uma passada rápida no antigo Palácio Imperial (Kyoto Gosho), construído em 794 DC e ex-residência do imperador. Ainda hoje algumas cerimônias continuam acontecendo nesse palácio, inclusive aquela quando um novo imperador é entronado. O Palácio, no entanto, não está aberto à visitação, mas os jardins ao seu redor são muito bonitos.
Passamos rapidamente por mais alguns templos (lembrem-se que eu comentei que são mais de 7 mil em Kyoto!) e chegamos ao Sanjusangen-dô, construído em 1164 DC a pedido do Imperador da época. Esse templo abriga 1001 estátuas de Kannon, a Deusa Buda da Misericórdia. A estátua maior é cercada por 500 menores de cada lado, cada uma diferente da outra. Diz-se que se olharmos com cuidado, podemos ver alguma semelhante a cada conhecido nosso...

Infelizmente não era permitido fotografar dentro do templo, mas tirei a foto acima na sua fachada. Exatamente nesse local ocorreu uma famosa luta em 1604, quando o samurai Miyamoto Musashi derrotou o irmão mais novo da academia Yoshioka, Denshichiro. A estratégia de Musashi nessa luta foi chegar mais tarde ao local, irritando seu advserário e tirando a sua concentração. Ele se colocou num patamar mais alto, sobre o piso de madeira que pode ser visto logo atrás de mim, enquanto Yoshioka Denshichiro ficou em desvantagem sobre o chão de cascalho.
Para terminar o city-tour do dia, visitamos o templo Kiyomizu-Dera, que fica no meio das montanhas e tem uma linda vista da cidade de Kyoto. Na foto abaixo, da esquerda para direita, Keiko Shiino (do Client Office da Mitsui, nossa anfitriã durante todo o Programa de Intercâmbio), Rodrigo, eu (logo atrás), João, Rita, Cinara e Fernanda, na entrada do templo.

Depois conto como foi meu segundo dia em Kyoto, a cidade dos templos e samurais do Japão...
SAYONARA!