domingo, 29 de junho de 2008

Na velocidade de uma bala

Essa semana estivemos com a divisão de Transportes da Mitsui, com quem venho mantendo contato há mais de 1 ano (através da equipe que eles têm no Brasil) para desenvolvimento de um novo negócio para as 2 empresas (Vale e Mitsui).

Na 5a feira (26/jun) visitamos a planta da Toshiba em Fuchu, a maior entre todas as plantas da empresa. Fundada em 1875 através da fusão entre as empresas Tokyo Electric e Shibaura Industries (de quem herdou o nome, através da junção das iniciais), a Toshiba é uma das maiores do mundo no seu segmento. Com vendas de US$ 60,3 Bi e lucro líquido de US$ 1,2 Bi (dados de 2007), a empresa possui cerca de 191 mil funcionários.

Na planta de Fuchu são produzidos os sistemas para motores elétricos que abastecem boa parte dos trens do Japão e do mundo, como o trem-bala.

Acima, uma locomotiva com sistema elétrico fabricado pela Toshiba para a JR, empresa que opera grande parte da malha ferroviária no Japão. A Toshiba fornece o Invertor (de corrente contínua para alternada) e o Motor de Tração (AC), equipamentos de alto valor agregado. Outros componentes, como carroceria, chassi, etc, são fornecidos por outras empresas para serem então montados na planta de Fuchu.

Na foto cima o trem-bala japonês (Shinkansen). Como já comentei antes nesse blog, ele atinge a velocidade de 300 km/h! O Governo do Brasil está conduzindo o processo de licitação do trem-bala brasileiro, que vai interligar as cidades do RJ e SP, um projeto orçado entre US$ 15 Bi e US$ 20 Bi e previsto para entrar em operação até 2014 (antes da Copa do Mundo).

O consórcio japonês, liderado pela Mitsui (com participação da Toshiba, Kawasaki e Mitsubishi), vai participar dessa concorrência. Além desse consórcio, outros fortes candidatos são os consórcios alemão (liderados pela Siemens) e francês (esses liderados pela Alstom).

Na 6a feira (27/jun) a divisão de Transportes apresentou alguns projetos que eles estão coordenando, como um nova ferrovia que está sendo construída na Arábia Saudita e o trem-bala de Taiwan, que foi inaugurado no ano passado (janeiro de 2007) e cujo consórcio vencedor foi o mesmo liderado pela Mitsui e que deverá participar da concessão do tem-bala RJ-SP. Esse projeto consumiu investimentos de cerca de US$ 15 Bi para interligar a capital Taipei até a cidade de Kachsiung, um trecho de 345 km (a tarifa cobrada é de apenas US$ 45).

Algumas pessoas dizem que o nosso trem-bala terá que ser, na verdade, à prova de bala... Eu sou um otimista por natureza. Tenho confiança de que dentro de alguns anos (talvez 1 década, ou 2, dependendo em grande parte da vontade política, pois interesse da iniciativa privada não falta), teremos uma ótima infra-estrutura de transportes no nosso país, podendo contar com as mesmas facilidades e comodidades que os japoneses e muitos outros países no mundo já têm, e não precisando ficar na mão das poucas empresas aéreas que existem por aí hoje. Precisamos todos nós, brasileiros, trabalhar para isso!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Komatsu & Vale Tokyo

Na 2a feira (23/jun) visitamos a planta da Komatsu em Hirakata, cidade entre Kyoto e Osaka.

A Komatsu foi fundada em 1921 e é a segunda maior fabricante do mundo de equipamentos para indústrias pesadas (ex: construção civil, mineração), como tratores, escavadeiras, retro-escavadeiras, caminhões fora-de-estrada, etc. Com vendas de US$ 16 Bi (dados de 2007) e market-share de aproximadamente 20%, a empresa japonesa fica atrás apenas da americana Caterpillar (com market-share de cerca de 30%).

Acima, as linhas de montagem de um trator (primeira foto) e uma retro-escavadeira (segunda foto) em Hirakata, sede da maior entre as 8 plantas que a empresa possui no Japão. Metade da capacidade instalada da empresa está no Japão, aonde são fabricados os componentes principais (ex: motores), sendo a outra metade fabricada nas demais plantas que a empresa possui pelo mundo.

Na 3a feira (24/jun) visitamos o Techo-Center (show-room) da Komatsu, que fica na Península de Izu, uma bonita região de praias e montanhas, muito próxima à Tokyo.

Assistimos a uma exibição real dos equipamentos fabricados pela Komatsu e depois pudemos fazer alguns “test-drives”.

Acima, os 7 participantes (a partir da direita) do 11th Vale & Mitsui Interchange Program com colegas da Mitsui e Komatsu (os 3 da esquerda), em frente a um caminhão fora-de-estrada modelo HD785, que tem capacidade para carregar até 91 toneladas. Os caminhões fora-de-estrada que a Vale usa nas suas minas têm capacidade para carregar mais de 300 toneladas de minério!

Nas fotos acima, uma retro-escavadeira (modelo PC1250) carregando um caminhão fora-de-estrada (modelo HD605). Na segunda foto, eu colocando em prática a minha formação de engenheiro ao pilotar essa mesma retro-escavadeira... rs

Nas fotos acima, eu, Rodrigo, João e Cinara sendo “escavados” pela PC1250!

Na 4a feira (25/jun), a Vale Tokyo nos convidou para um almoço na churrascaria brasileira Barbacoa, que fica no edifício Marunouchi (próximo ao escritório da Mitsui em Tokyo). Abaixo, os 7 participantes do Programa de Intercâmbio com os representantes da Vale em Tokyo: Kodo Okazaki (terceiro da esquerda para a direita), Renato Almeida (country-manager da Vale no Japão, ao centro) e José Augusto Delamanha (na extrema direita).

Beijos e abraços para todos, principalmente para os mais resistentes que ainda têm paciência e continuando lendo esse blog até o final! rsrs

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Cidade de templos e samurais (cont.)

No domingo (22/jun) o grupo acabou se separando, já que parte viajou para Nara (cidade próxima à Kyoto, foi a primeira capital do Japão), enquanto outra parte preferiu dormir e descansar um pouco mais. Eu acabei acordando bem cedo e resolvi passar mais um dia em Kyoto.
Peguei um ônibus até a estação de Ichijoji-Sagarimatsu, aonde encontrei por acaso um templo bem tranqüilo e pouco conhecido chamado Shisen-Dô.
Esse templo foi construído em 1641 DC por um arquiteto e estudante da escola clássica chinesa para abrigá-lo durante o fim da sua vida.

De lá andei mais uns 5 mins até um monumento em homenagem ao mais famoso samurai de todos os tempos (de quem já comentei antes nesse blog e venho estudando bastante sobre a sua vida), Miyamoto Musashi.
Esse é o local aonde ele derrotou sozinho mais de 60 homens da academia Yoshioka de Kyoto, a mais famosa e prestigiosa na época. Após duelar e vencer os 2 irmãos Yoshioka, Seijuro e Denshichiro (o duelo contra esse último eu relatei na minha última postagem nesse blog), Musashi foi desafiado para um terceiro duelo contra o próximo sucessor da família, uma criança de apenas 11 a 13 anos chamada Hanshichiro. Por ser menor de idade, ele seria representado por outros membros da academia.

Yoshioka Hanshichiro ficou embaixo de uma árvore (Sagarimatsu), cujo tronco foi preservado e pode ser visto na foto acima, à direita da estátua em sua homenagem. O duelo foi marcado para o primeiro horário da manhã. Musashi mudou a sua estratégia em relação ao duelo anterior contra Yoshioka Denshichiro (quando chegou atrasado propositadamente, irritando seu adversário) e tomou um caminho alternativo, chegando mais cedo ao local de modo a analisar o terreno e observar toda a preparação do clã Yoshioka. Dizem os relatos que haviam mais de 60 homens armados de lanças, espadas, arco e flecha e até espingardas (essas últimas haviam sido introduzidas recentemente no Japão através de comerciantes portugueses).

Musashi conseguiu se aproximar da árvore e com um golpe matou o jovem Hanshichiro, travando em seguida um sangrento duelo com os cerca de 60 homens que ali estavam, eliminando a grande maioria deles e fugindo em seguida. Para isso, ele usou apenas a sua estratégia e a técnica de duelar com 2 espadas ao mesmo tempo, estilo que nunca havia sido utilizado antes e que ficou conhecido como Nito Ichiryu (Escola das Duas Espadas) ou Niten Ichiryu (Escola dos Dois Céus).

Antes de morrer, com cerca de 60 anos, Musashi se isolou numa caverna em Kyushu (ilha ao Sul do Japão) para escrever o livro Gorin No Sho (O Livro dos Cinco Anéis), um resumo de seus conhecimentos sobre a técnica de manejo de espadas e sobre estratégia. Ele finalizou o livro pouco antes de morrer, em 1645, aos 61 anos. Esse livro atualmente é muito conhecido e estudado em escolas de Administração no mundo inteiro.

Saindo de Ichijoji, peguei novamente o ônibus para visitar o templo Ginkaku-Ji, construído em 1482 DC pelo shogun Ashikaga Yoshimasa. Seus jardins em estilo Zen Budista nos fazem lembrar de uma montanha e um lago.

Peguei o ônibus mais uma vez até um complexo de templos de Nanzen-Ji, construído para abrigar o imperador Kameyama durante a sua aposentadoria, mas que acabou se transformando num templo Zen após a sua morte, em 1291 DC. Hoje, esse complexo de templos é a sede da escola Rinzai de Zen.

Visitei primeiro o Tenjuan, construído em 1337 DC, um templo pequeno e tranqüilo, com lagos e jardins ideais para a prática do Zen.

Depois segui até o templo Hojo, com lindas pinturas e jardins estilo Zen Budista, aonde participei de uma cerimônia do chá, tradição que começou na China por volta do século VIII e foi trazida ao Japão por monges Zen Budistas no final do período Heian (século XII).

De lá caminhei cerca de 15 mins até o templo Heian-Jingu (lembrem-se que eu comentei que são mais de 7 mil em Kyoto, e eu queria conhecer o máximo deles em apenas 2 dias! rsrs), um complexo de santuários de cor alaranjada e jardins com natureza exuberante, construídos em 1895 DC para comemorar o aniversário de 1100 anos da fundação de Kyoto.

Depois peguei um táxi até o Nishiki Market (tive que ir de táxi pois já eram mais de 4 pm e o mercado fecharia às 5 pm), aonde pude ver a infinidade de iguarias (algumas muito esquisitas) que abastecem todos os dias o comércio de Kyoto. Comprei o famoso sake da região de Fushimi.

Só então resolvi comer alguma coisa, e acabei encontrando uma pastelaria brasileira no Centro de Kyoto, aonde acho que bati o recorde do Guiness de tempo de permanência numa pastelaria: foram ao todo quase 5h!
Cheguei às 6 pm para comer um pastel e beber um chopp, fiz amizade com o gerente Otavio (ao meu lado na foto acima), brasileiro de Bauru (SP), sansei (filho de mãe japonesa) que mora há 12 anos no Japão. Depois fiquei aguardando os colegas do meu Programa de Intercâmbio (João e Cinara, tb nas fotos acima), que me ligaram e estavam chegando de Nara e também queriam comer um pastel.

Como brasileiro atrai brasileiro, eles começaram a se multiplicar e apareceram mais dois, Mauricio e Jiu (acho que é assim que se escreve, esse parecia mesmo japonês), todos eles nikkei (i.e.: descendentes de japoneses). Acabei saindo da pastelaria quase 11 pm. Foi um longo dia...

No nosso último dia em Kyoto (3a feira, 24/jun), fomos ao Gion Corner assistir a um teatro com dança, música e cerimônias típicas japonesas.
Kyoto é uma das poucas cidades no Japão que ainda possui geishas. Ao contrário do que muitos pensam, elas não são prostitutas, mas mulheres muito bem educadas com o intuito de servir os homens, fazendo companhia durante um jantar, servindo bebidas, dançando, etc.

Estima-se que haja hoje em Kyoto cerca de 80 maiko (aprendizes de geisha) e pouco mais de 100 geisha, mas seu número vem caindo, restando menos de 1000 em todo o Japão.

Depois do teatro fizemos um jantar de despedida da cidade de Kyoto num restaurante no alto de um prédio. Abaixo foto do nosso grupo com os amigos da Mitsui, com a Kyoto Tower ao fundo.

Kyoto, com sua história e cultura milenares, é sem dúvida uma das cidades mais bonitas do Japão. Certamente ainda voltarei nessa cidade...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Cidade de templos e samurais

Na 6a feira (20/jun) à noite chegamos à Kyoto, que com seus mais de 7 mil templos é considerada a capital cultural do Japão.

Kyoto foi a capital oficial do país e sede do shogunato por mais de 8 séculos (a partir de 794 DC). Após a morte do shogun Toyotomi Hideoshi, que havia conseguido unificar o país terminando com o longo período de guerra entre os diversos daimyos (espécie de senhores feudais), o país ficou novamente dividido entre aqueles que apoiavam o seu filho e sucessor, Toyotomi Hideyori, e seu antigo aliado, Tokugawa Ieyasu.

Em 1600 ocorreu então a famosa batalha de Sekigahara, que marcou o futuro do país por quase 3 séculos, quando Tokugawa derrotou seus rivais se tornando o novo líder do país, sendo designado shogun (chefe militar, a quem todos os daimyos eram subordinados) e transferindo a sede do seu governo para Edo (atual Tokyo), dando início à Era Edo (de 1600 a 1868).

No sábado (21/jun), a Mitsui contratou um excelente guia que nos levou para um city-tour, dando uma verdadeira aula de história e cultura japonesas. Nos encontramos às 8:30 am no lobby do hotel e fomos direto para o templo Kinkaku-Ji (Ji = templo), também conhecido como Golden Temple e talvez um dos mais bonitos de todo o Japão...

Nas fotos abaixo, o templo pode ser visto de 2 ângulos diferentes (na segunda foto, eu e o nosso guia, Sr. Kitayama).

Esse templo foi construído em 1397 DC. Em 1950, foi incendiado por um jovem monge para atender seu desejo obsessivo de vê-lo em chamas, sendo então reconstruído 5 anos depois, seguindo o mesmo projeto original. A história do monge louco foi cinematografada no filme de Mishima Yukio “The Golden Pavillion”.

Em seguida visitamos o templo Ryoan-Ji, fundado em 1450 e muito conhecido pelo seu jardim retangular composto de cascalhos e 15 pedras que só podem ser vistas a partir de um único ponto. Para alguns, esse jardim representa a máxima do estilo Zen Budista, sendo seu significado dificilmente descrito em palavras, devendo cada um meditar e interpretar à sua maneira...
“I learn only to be contented.”

Ainda pela manhã visitamos o castelo Nijô-Jô (Jô = castelo), que foi construído em 1603 para ser a residência oficial em Kyoto do novo shogun Tokugawa Ieyasu.

Nesse castelo aprendemos bastante com o nosso guia, Sr. Kitayama, sobre a vida dos samurais. Possivelmente nunca existiu na história da humanidade uma sociedade regida por valores tão rígidos de disciplina, respeito e honra como aquela da classe dos samurais no Japão, aonde um ato que fosse contra o código de conduta dessa classe poderia levar ao seppuku, ato de suicídio que era cometido cortando a região do abdômen com a espada curta (wakizashi), da esquerda para a direita, sendo logo em seguida decapitado por alguém de confiança, como forma de amenizar a sua dor.

Após um almoço num restaurante tradicional de Kyoto (com sashimi de peixes da região, tempura de camarão, etc), demos uma passada rápida no antigo Palácio Imperial (Kyoto Gosho), construído em 794 DC e ex-residência do imperador. Ainda hoje algumas cerimônias continuam acontecendo nesse palácio, inclusive aquela quando um novo imperador é entronado. O Palácio, no entanto, não está aberto à visitação, mas os jardins ao seu redor são muito bonitos.

Passamos rapidamente por mais alguns templos (lembrem-se que eu comentei que são mais de 7 mil em Kyoto!) e chegamos ao Sanjusangen-dô, construído em 1164 DC a pedido do Imperador da época. Esse templo abriga 1001 estátuas de Kannon, a Deusa Buda da Misericórdia. A estátua maior é cercada por 500 menores de cada lado, cada uma diferente da outra. Diz-se que se olharmos com cuidado, podemos ver alguma semelhante a cada conhecido nosso... Infelizmente não era permitido fotografar dentro do templo, mas tirei a foto acima na sua fachada. Exatamente nesse local ocorreu uma famosa luta em 1604, quando o samurai Miyamoto Musashi derrotou o irmão mais novo da academia Yoshioka, Denshichiro. A estratégia de Musashi nessa luta foi chegar mais tarde ao local, irritando seu advserário e tirando a sua concentração. Ele se colocou num patamar mais alto, sobre o piso de madeira que pode ser visto logo atrás de mim, enquanto Yoshioka Denshichiro ficou em desvantagem sobre o chão de cascalho.

Para terminar o city-tour do dia, visitamos o templo Kiyomizu-Dera, que fica no meio das montanhas e tem uma linda vista da cidade de Kyoto. Na foto abaixo, da esquerda para direita, Keiko Shiino (do Client Office da Mitsui, nossa anfitriã durante todo o Programa de Intercâmbio), Rodrigo, eu (logo atrás), João, Rita, Cinara e Fernanda, na entrada do templo.

Depois conto como foi meu segundo dia em Kyoto, a cidade dos templos e samurais do Japão...

SAYONARA!

domingo, 22 de junho de 2008

De tecidos para automóveis

OHAIYÔ GOZAIMASU!

Na 6a feira passada (20/jun) visitamos a fábrica da Toyota, na cidade de mesmo nome (Toyota City), próxima à Nagoya. Pegamos mais uma vez o Shinkansen (tem-bala) a partir de Tokyo (cerca de 2h de viagem).

A história da criação da Toyota é um exemplo clássico de visão estratégica, uma empresa que começou como fabricante de tecidos para mais tarde se tornar uma das maiores montadoras de automóveis do mundo, com faturamento (dados de 2007) de aproximadamente US$ 240 Bi.

Essa foi a primeira máquina de tecelagem inventada por Sakichi Toyoda, em 1924. Em 1930 seu filho, Kiichiro Toyoda, iniciou as pesquisas de pequenos motores a gasolina para fundar, em 1933, a Toyota Motor Co., Ltd.

A Toyota fabrica atualmente mais de 8 milhões de automóveis por ano, dos quais cerca de 50% são vendidos no mercado doméstico (Japão), enquanto a outra metade é exportada. A Mitsui participa no negócio de exportação da empresa, sendo responsável pela venda de aproximadamente 5% (ou 200 mil unidades) para outros países. Além disso, a Mitsui possui parceria com diversas empresas responsáveis pelo fornecimento e transporte de materiais e equipamentos necessários na fabricação dos automóveis.

Na foto acima, eu fazendo um “test-drive” no Lexus, marca de luxo da Toyota (essa marca infelizmente ainda não está disponível no Brasil).

Visitamos a planta de Motomachi, que fabrica (numa mesma linha de produção) 3 modelos diferentes: Crown, Mark X e Estima. Os processos mais perigosos e nocivos para o ser humano (ex: soldagem) são completamente automatizados, utilizando a tecnologia de robótica. Já na linha de montagem (ex: portas, estofados, etc), o trabalho é manual.

Na foto acima, a carroceria de um automóvel sendo “atacada” por diversos robôs. Abaixo, o robô trompetista que a Toyota apresentou na EXPO 2005. Ele tocou perfeitamente, como um Miles Davis ou Louis Armstrong, clássico como “Somewhere Over the Rainbow”, “Moon River”, etc, numa demonstração da capacidade de inovação tecnológica dessa empresa.
Após a visita, pegamos novamente o Shikansen rumo à Kyoto, aonde ficaremos até a próxima 3a feira (24/jun). Em breve enviarei as notícias dessa cidade, que talvez seja a mais bonita de todo o Japão...

MATA ASHITA!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um pouco sobre o Japão

Para dar uma idéia melhor do país aonde estou morando e trabalhando nessas últimas 5 semanas, resolvi escrever hoje um pouco sobre o Japão.

O Japão é um país com regime de Monarquia Parlamentarista. A função do Imperador é zelar pela manutenção dos costumes e tradições do país, enquanto cabe ao Primeiro-Ministro a sua administracão (política, economia, indústria e comércio, etc).

O Japão é dividido em 4 ilhas principais: Honshu (a maior de todas, onde estão localizadas as cidades de Tokyo, Kyoto, Yokohama, Osaka, Hiroshima, etc), Hokkaido (ao Norte de Honshu), Shikoku e Kyushu (essas duas ao Sul de Honshu).

Apesar de possuir uma área territorial de apenas 375 mil km2 (cerca de 23 vezes inferior a área do Brasil, que é de 8,5 milhões km2), o Japão possui um PIB de US$ 5,1 Bi, quase 4 vezes maior que o do Brasil (US$ 1,3 Bi), sendo a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA (US$ 13,8 Bi) e acima da China, que possui o terceiro maior PIB do mundo (US$ 3,2 Bi).

Apesar da pequena área territorial, o Japão possui uma população de 130 milhões de habitantes (o Brasil tem atualmente 190 milhões de habitantes, enquanto a China, país mais populoso do mundo, possui 1,3 bilhões de habitantes).

A taxa de analfabetismo do Japão (apenas 0,01%) é uma das menores do mundo (nos EUA, embora os números sejam contestados pelo Governo americano, a taxa de analfabetismo chega a 25% da população, se incluirmos os hispânicos e todos os demais habitantes que moram no país). A expectativa de vida no Japão é uma das mais elevadas do mundo: 78 anos para os homens, 85 anos para as mulheres.

As religiões predominantes são o Xintoísmo e Budismo, embora a população na sua maioria não seja muito religiosa.

Para aprender mais sobre o Japão, continue acessando esse blog, em breve começarei a escrever sobre o meu cotidiano na terra do Sol nascente... rsrs

MATA!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Energia & Toyama

Essa semana estivemos com a divisão de Energia, aprendendo sobre carvão metalúrgico (usado nas usinas termelétricas para produção de energia), novas tecnologias (ex: armazenagem de CO2, redução de emissão de Carbono), novos projetos de etanol (tb para produção de energia), energia nuclear, etc.

O Japão vem liderando as discussões para redução de emissão de Carbono, através de diversas rodadas de negociação, que se iniciaram em Kyoto em Dezembro de 1997, recebendo por isso o nome de Protocolo de Kyoto.

Na 3a feira (17/jun) visitamos uma termelétrica (usina para geração de energia elétrica movida a carvão) em Toyama. Toyama fica a cerca de 1h de avião de Tokyo. Tivemos que pegar o vôo local da ANA (All Nippon Airways), pois Toyama fica do outro lado da ilha de Honshu (ilha principal do Japão, mesma ilha de Tokyo), tendo que atravessar os Alpes japoneses.

Toyama é uma cidade muito bonita que fica localizada aos pés dessa cadeia de montanhas. Essa cidade se desenvolveu como um Pólo Industrial pela disponibilidade de energia a um custo mais baixo que a média nacional no Japão, principalmente a partir de usinas hidrelétricas (a cidade é cercadade por muitos rios).

Na foto acima o pequeno castelo de Toyama.

Visita a Hokuriku Electric Power Co., termelétrica localizada em Toyama. A primeira foto foi tirada do topo da planta termelétrica, a 60m de altura. A outra foto foi tirada no porto de desembarque de carvão, enquanto o navio de bandeira panamenha desembarcava cerca de 60 mil toneladas de carvão para abaster a usina.

terça-feira, 17 de junho de 2008

China - Parte 2 (Cidade do Futuro)

NIHAO! (“OLÁ!” em mandarim)

Na 6a feira (13/jun) pegamos um vôo bem cedo de Beijing para Shanghai (pronuncia-se “Chang-Rái”), aonde nos hospedamos no hotel Royal Méridien, um arranha-céu 5 estrelas (ao fundo na foto abaixo), com uma linda vista da cidade. Meu quarto ficava no 38 andar.


Fizemos o check-in e fomos direto para uma visita à Baosteel, maior siderúrgica chinesa e uma das cinco maiores do mundo.

Na foto acima, o 11th Vale and Mitsui Interchange Program na sede da Baosteel, maior siderúrgica chinesa, sediada em Shanghai. Além dos 7 integrantes do programa, estão na foto também a Ms. Li Fei (Mitsui Tokyo, segunda da esquerda para a direita) e o funcionário da Baosteel (ao centro), que nos acompanhou durante toda a visita.

Stock-yard da Baosteel Shanghai, aonde pilhas de minério de ferro são armazenadas para serem utilizadas nos altos-fornos. O minério de ferro é recolhido utilizando-se para isso uma pá recuperadora, que são grandes equipamentos (visto ao centro, no fundo) que recolhem o minério e os jogam para dentro de correias, para serem então transportados até o alto-forno. O minério brasileiro pode ser reconhecido pela sua coloração mais escura, de alto teor de ferro. Ao fundo, as pilhas brancas são as de calcário, que também é utilizado na mistura que é feita no alto-forno para produção do ferro-gusa.

A Baosteel nos permitiu fotografar todas as etapas da produção do aço que visitamos. Nas fotos acima, podemos ver o processo de laminação a quente, aonde o aço (que foi produzido a partir do ferro gusa na aciaria) é transformado em placas de aço, para depois serem produzidas as bobinas (segunda foto), que serão vendidas e utilizadas nas fábricas para produção de carros, equipamentos eletrônicos, utensílios domésticos, etc. Tudo acontece numa velocidade impressionante, as placas incandescentes passam em disparada pela nossa frente, produzindo um calor enorme, num grande espetáculo!

Na foto acima, nosso grupo reunido com os funcionários da Vale Shanghai. O escritório da Vale em Shanghai fica no 25 andar do edifício Aurora, que pode ser visto na foto abaixo tirada do outro lado do rio Huangpu (prédio dourado à direita).
Essa é a área conhecida como Pudong. No centro da foto, ao fundo e com seu topo semi-encoberto pelas nuvens, pode-se ver a Jinmao Tower, que com seus 420,5 m de altura e 88 andares é o edifício mais alto da China, símbolo de uma cidade que parece já ter chegado no futuro, reflexo do grande crescimento que esse país vem experimentando na última década. Até o ano passado o escritório da Vale ficava nessa torre, mas após a aquisição da Inco foi transferido para o Aurora por necessidade de mais espaço para seus funcionários.

No sábado, enquanto meus 6 colegas da Vale foram às compras, fiz um sight-seeing pela cidade. Visitei o Shanghai Urban Planning Exhibition Hall, aonde há uma exibição do planejamento urbano de como a cidade ficará daqui alguns anos. Nas fotos abaixo vcs podem ver a fachada do museu, que fica na People’s Square (praça muito bonita, com um lindos jardins), além de uma maquete com a “cidade do futuro” (como se o futuro ainda não tivesse chegado à Shanghai!).

Caminhei a pé durante todo o dia pela cidade, e acabei encontrando (com a ajuda do meu guia Lonely Planet da China, que eu comprei ainda no Brasil) um templo muito bonito, mas infelizmente lotado de gente. Felizmente consegui encontrar atrás desse templo um lugar bastante calmo, com lindos jardins, chamados Yuyuan Gardens.

No domingo de manhã deixamos o hotel para pegar o vôo de volta para o Japão, aonde chegamos à noite. Apesar da semana na Coréia e China ter sido maravilhosa, já estava até sentindo saudade da minha casa em Tokyo... rsrs

SAYONARA!

domingo, 15 de junho de 2008

China - Parte 1

Na última 3a feira (10/jun) saímos de Seoul (Coréia do Sul) e chegamos à noite em Beijing (República Popular da China). Não tivemos tempo de conhecer Beijing, pois na 4a feira de manhã já viajamos de carro para a província de Hebei, Nordeste da China, para mais algumas visitas de campo.

Foram cerca de 4h de viagem de carro a partir de Beijing até chegarmos em Quian’an (pronuncia-se “Tchiã-nã”). A infra-estrutura de transporte é completamente diferente daquela à qual nos acostumamos no Japão: estradas esburacadas e algumas até obstruídas, caminhões ultrapassando pela contra-mão, carros, motos e bicicletas disputando espaço nas estradas com caminhões, ônibus, etc. Se fosse no Japão, talvez tivéssemos feito o mesmo percurso em menos de 2h de trem-bala...

Chegando à Quian’an fomos direto para a planta de pelotização da Shougang (tb conhecida como Capital Steel: Shou = Capital e Gang = Steel). Essa pelotizadora tem capacidade para produzir cerca de 3 Mtpa de pelotas de minério de ferro, a partir do minério que é fornecido pela mina da própria empresa, a cerca de 5 km de distância dali. O minério é transportado de ferrovia da mina até a pelotizadora, para daí então ser transportado até a siderúrgica.

Planta de pelotização da Shougang, aonde o minério de ferro (pellet-feed, em formato de um pó) passa por um processo de aglomeração para ser transformado em pelota (com cerca de 12mm de diâmetro, do tamanho de uma bola de gude), que será então usada no alto-forno da siderúrgica para produzir o aço.

Após um almoço típico chinês (aonde sentamos todos numa mesa redonda, com uma enorme variedade de iguarias que ficam rodando no centro da mesa e cada um se serve à vontade), fomos de carro até a mina que abastece essa planta de pelotização. Essa mina iniciou as suas atividades em 1968, sendo uma das maiores a céu aberto da China. São extraídos 56 Mtpa, dos quais 11 Mtpa de minério de ferro magnetítico, com concentração de 25% de ferro. O minério é transportado por correias até a planta de beneficiamento, produzindo 3,2 de pellet-feed (com concentração de 68% de ferro).

Uma das maiores minas a céu aberto da China, a mina de Quian’an, com cerca de 400m de talude, iniciou as suas atividades em 1968 e possui reservas estimadas em 100 milhões de toneladas de minério (cerca de 10 anos). Após esse período, a lavra passará a ser subterrânea.

Na planta de beneficiamento (foto abaixo), utiliza-se um processo de concentração magnética para que o minério atinja uma concentração de 68% de ferro. Esse produto em formato de pó (chamado de pellet-feed) será então transportado para a planta de pelotização, aonde será aglomerado e transformado em pelotas, para então abastecer os altos-fornos das siderúrgicas para serem finalmente transformados em aço.

Após a visita à mina, viajamos mais 3h até Caofeidian (pronuncia-se “Sao-fei-din”), aonde nos hospedamos num hotel excelente. Jantamos no próprio hotel, em mais um banquete à moda chinesa! Na foto abaixo, da esquerda para direita: eu, Li Fei (de nacionalidade chinesa, trabalha na Mitsui Tokyo e nos acompanhou durante a nossa viagem à China), Fernanda e Rita.

No dia seguinte (5a feira), visitamos o projeto da Shougang em Caofeidian, aonde será construída uma nova planta siderúrgica dessa empresa. Esse projeto faz parte de um projeto muito maior para instalação de um novo Pólo Industrial no Nordeste da China, aonde a nova planta da Shougang é apenas uma pequena parte disso.

O Pólo Industrial de Caofeidian mostra pq a China é atualmente a “locomotiva do mundo”: trata-se de um projeto faraônico, segundo ouvi dizer um dos maiores projetos de Engenharia existentes no mundo atualmente, apenas comparável a obras como por ex a ampliação do Canal de Panamá. Foram aterrados cerca de 45 km (45 km de uma área que antes era apenas mar!). Além da siderúrgica da Shougang, serão instalados tb novos terminais portuários, uma petroquímica, cementeira, etc, etc.

Na foto abaixo, os 7 integrantes do “11th Vale & Mitsui Exchange Program”, em visita à Caofeidian, maior projeto de Engenharia em andamento na China. Infelizmente não pudemos fotografar a maquete que mostra como será o empreendimento no futuro.

Visitamos ainda o terminal portuário de Caofeidian, qdo tivemos a oportunidade de ver um navio descarregando minério de ferro. O porto de Caofeidian possui calado natural (i.e., sem necessidade de dragagem) de 25m, possibilitando o recebimento dos maiores navios graneleiros do mundo, como Cape-Size e futuramente os Chinamax.


Após essa visita, pegamos o carro mais uma vez (na verdade, era um mini-ônibus) e encaramos mais 4h30m de estrada (não tão boa como as do Japão...) para voltar à Beijing. Chegamos por volta das 17h, a tempo para conhecer pelo menos a Tiananmen Square (Praça da paz Celestial), maior praça pública do mundo que ficou muito conhecida pelos conflitos ocorridos em 1989, quando uma grande multidão se reuniu para reivindicar mais direitos e foi ferozmente repreendida pelo exército do PCC (Partido Comunista Chinês, que governa o país desde a Revolução Comunista de Mão-Tsé-Tung, em 1950), quando milhares de pessoas morreram.