terça-feira, 8 de julho de 2008

Era uma casa muito engraçada

Como vcs devem imaginar, o espaço é um bem raro num país que tem 130 milhões de habitantes, mas apenas 375 mil km2 (23 vezes menor que a área do Brasil). Sendo assim, o apartamento aonde morei durante esses 2 meses não fugia à regra, e hoje gostaria de apresentá-lo aos persistentes leitores desse blog, que a essa altura eu imagino que sejam apenas a minha namorada e a minha mãe... rsrs

Meu apto fica localizado em Nihombashi, próximo à estação de metrô de Ningyocho e há apenas 2 estações do escritório da Mitsui (estação de Otemachi a partir de Suitengumae).

Essa é a vista da entrada do meu apto, de 20 m2. Reparem que a porta abre para fora, numa forma inteligente de ganhar mais espaço. O hábito de deixar os sapatos na entrada (para não sujar o chão dentro de casa) é um dos muitos que pretendo adotar quando retornar ao Brasil, logo já aviso aos amigos para não usarem meias furadas qdo me visitarem! rs

Meus utensílios de cozinha: máquina de lavar e secar, fogão de apenas 1 boca, geladeira e micro-ondas. Pra cozinhar nesse fogão tem que ser mágico (às vezes eu tinha que colocar a panela ou frigideira no chão sobre um pano enquanto utilizava outra ao mesmo tempo no fogão, por falta de espaço!). Eu que já achava meu fogão de 4 bocas pequeno (queria comprar um de 6), agora vou aprender a valorizá-lo mais...

Esse é o famoso TOTO, marca de vaso sanitário encontrada em todo o Japão. Talvez essa seja uma ótima idéia de um novo negócio para ser implantado aí no Brasil! Não vou entrar em detalhes, mas pela quantidade de botões vcs podem imaginar o que ele deve fazer... O problema é entender o japonês, mas normalmente vc não precisa, pois nos banheiros públicos tudo acontece naturalmente, alguns chegam até a imitar um barulho artificial de descarga quando vc se senta para deixá-lo à vontade em relação à outras pessoas que estão no mesmo banheiro e que poderiam ouvir algum ruído... rsrs

Certamente o pior problema nesse meu pequeno apto era o banho. Eu que tenho 1,82m de altura passava um grande aperto (literalmente) para tomar banho nesse pequeno espaço, certamente projetado para os padrões japoneses...

Essa é a vista do quarto a partir da minha varanda, com a porta de entrada ao fundo, minha cama à direita, armário de roupas em frente à cama, mesa de trabalho e TV à esquerda, etc. A cama era bem grande e confortável.

Por último, a vista que eu tinha a partir da minha varanda, que dava para uma pequena rua com outros imóveis e um restaurante.

Beijos e abraços a todos!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A montanha sagrada

No último final de semana resolvi viajar sozinho para Koya-san (Monte Koya). Para chegar até Koya-san, peguei primeiro o Shinkansen (cerca de 2h) até Osaka, depois um metrô até a estação de Namba e um trem local até Gokurakubashi (é necessário trocar de estação em Hashimoto). A partir de Gokurakubashi, peguei um funicular até o topo da montanha (cerca de 1.000 metros acima do nível do mar) e depois um ônibus para chegar ao Centro da cidade.

Koya-san foi fundada por um monge chamado Kukai no início do século IX (816 DC). Após retornar de uma viagem de 2 anos para a China em 804 DC (quando tinha 31 anos de idade), aonde estudou sobre Budismo com o mestre Keika na antiga cidade de Chang’an (atual Xi’an, antiga capital da China), Kukai retornou ao Japão com o objetivo de disseminar a escola Shingon pelo país, se instalando em Koya-san.

Após a sua morte em 835 DC (aos 61 anos de idade), Kukai passou a ser conhecido pelo nome de Kobodaishi. Acredita-se que ele não esteja morto, mas sim em eterna meditação, na caverna de Okunoin.

O cemitério de Okonoin, com mais de 200 mil túmulos de pedra, é talvez o mais importante do Japão, aonde estão enterradas importantes personalidades da história do país, entre eles Kobodaishi, fundador da escola Shingon.

Torodo (“Hall das Lanternas”), em frente ao túmulo de Kobodaishi, aonde milhares de lanternas estão acesas em sua homenagem. Duas dessas lanternas (uma delas doada pelo imperador Shirakawa) estão acesas há mais de mil anos.

Fiquei hospedado num shukubo, um dos 53 templos que oferece hospedagem, dentre os 117 existentes em Koya-san. A primeira foto foi tirada na entrada do shukubo aonde fiquei hospedado, chamado Eko-in. Na segunda foto, eu provando o saquê local durante jantar com comida tradicional vegetariana, chamada de shojin-ryori, preparada sem a utilização de carne, peixe, cebola ou alho (o jantar foi servido às 5:30 pm).

Na manhã seguinte, acordei às 6 am para os serviços matinais. Acima, a cerimônia do fogo (devia ser umas 7 am quando eu tirei essa foto).

O templo Kongobuji, o mais importante de Koya-san, é o centro da escola Shingo, que conta com mais de 4 mil templos espalhados pelo Japão e pelo mundo. Numa das salas desse templo ocorreu uma cerimônia de seppuku, cometida por Toyotomi Hidetsugu. A foto acima é do jardim de pedras, que com 2.349 m2 é o maior de todo o Japão.

Nas fotos acima o complexo de templos de Koya-san, com a torre de pagode Konpon-Daito, de 48,5m de altura, no detalhe.

Esse é o mausoléu do shogun Ieyasu Tokugawa, que após vencer a batalha de Sekigahara em 1600 DC conseguiu unificar o país. A família Tokugawa permaneceu no poder até a Restauração Meiji, em 1868 DC. À esquerda (não aparece nessa foto) está o mausoléu (simétrico) do seu filho, Hidetada Tokugawa.

SAYONARA!

domingo, 29 de junho de 2008

Na velocidade de uma bala

Essa semana estivemos com a divisão de Transportes da Mitsui, com quem venho mantendo contato há mais de 1 ano (através da equipe que eles têm no Brasil) para desenvolvimento de um novo negócio para as 2 empresas (Vale e Mitsui).

Na 5a feira (26/jun) visitamos a planta da Toshiba em Fuchu, a maior entre todas as plantas da empresa. Fundada em 1875 através da fusão entre as empresas Tokyo Electric e Shibaura Industries (de quem herdou o nome, através da junção das iniciais), a Toshiba é uma das maiores do mundo no seu segmento. Com vendas de US$ 60,3 Bi e lucro líquido de US$ 1,2 Bi (dados de 2007), a empresa possui cerca de 191 mil funcionários.

Na planta de Fuchu são produzidos os sistemas para motores elétricos que abastecem boa parte dos trens do Japão e do mundo, como o trem-bala.

Acima, uma locomotiva com sistema elétrico fabricado pela Toshiba para a JR, empresa que opera grande parte da malha ferroviária no Japão. A Toshiba fornece o Invertor (de corrente contínua para alternada) e o Motor de Tração (AC), equipamentos de alto valor agregado. Outros componentes, como carroceria, chassi, etc, são fornecidos por outras empresas para serem então montados na planta de Fuchu.

Na foto cima o trem-bala japonês (Shinkansen). Como já comentei antes nesse blog, ele atinge a velocidade de 300 km/h! O Governo do Brasil está conduzindo o processo de licitação do trem-bala brasileiro, que vai interligar as cidades do RJ e SP, um projeto orçado entre US$ 15 Bi e US$ 20 Bi e previsto para entrar em operação até 2014 (antes da Copa do Mundo).

O consórcio japonês, liderado pela Mitsui (com participação da Toshiba, Kawasaki e Mitsubishi), vai participar dessa concorrência. Além desse consórcio, outros fortes candidatos são os consórcios alemão (liderados pela Siemens) e francês (esses liderados pela Alstom).

Na 6a feira (27/jun) a divisão de Transportes apresentou alguns projetos que eles estão coordenando, como um nova ferrovia que está sendo construída na Arábia Saudita e o trem-bala de Taiwan, que foi inaugurado no ano passado (janeiro de 2007) e cujo consórcio vencedor foi o mesmo liderado pela Mitsui e que deverá participar da concessão do tem-bala RJ-SP. Esse projeto consumiu investimentos de cerca de US$ 15 Bi para interligar a capital Taipei até a cidade de Kachsiung, um trecho de 345 km (a tarifa cobrada é de apenas US$ 45).

Algumas pessoas dizem que o nosso trem-bala terá que ser, na verdade, à prova de bala... Eu sou um otimista por natureza. Tenho confiança de que dentro de alguns anos (talvez 1 década, ou 2, dependendo em grande parte da vontade política, pois interesse da iniciativa privada não falta), teremos uma ótima infra-estrutura de transportes no nosso país, podendo contar com as mesmas facilidades e comodidades que os japoneses e muitos outros países no mundo já têm, e não precisando ficar na mão das poucas empresas aéreas que existem por aí hoje. Precisamos todos nós, brasileiros, trabalhar para isso!